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Setembro 30, 2005

A nossa relatividade (ep. VII)

“Há em mim uma vontade crescente de morrer” confidenciou-me um dia, vindo de um qualquer até poderia assumir aquilo como uma brincadeira, mas tendo sido ele dificilmente seria uma afirmação para tomar de ânimo leve. Vários pensamentos me percorreram desde então, a sua crença inabalável que não passaria dos quarenta anos, o facto de o ter tentado duas vezes antes, algo que por si só reforçou a crença dos quarenta anos, e o facto de o saber sem nenhum medo de morrer, corroboram a minha duvida de que exista alguém que seja tão despojado de vida como ele e temo que em breve poderão descobrir algures, escrito por um outro o ultimo episódio da relatividade destas coisas.
Não sei que lições poderão tirar desta série de textos, nem se devem tirar alguma, e muito menos que eles, os textos, mereçam análises tão profundas, mas foi um pequeno relato de coisas grandes que me fazem.
Uma nota final já que será esta a ultima vez que em principio me dirijo a vocês para dele falar, nem toda a gente nasceu para viver e essa, no fundo, constitui a relatividade da vida.

O Cabelo tapa um dos olhos como que escondendo o brilho que surge quando da sua morte fala, “Queria morrer lentamente, para saborear cada segundo da despedida de algo que nunca quis.”